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Enredo

“DE REPENTE DE LÁ PRA CÁ E DIRREPENTE DE CÁ PRA LÁ...”

Autora: Rosa Magalhães

Minha gente, se prepare Que essa história vale a pena, Tome assento, se acomode, E vejam quem entra em cena E quem sai, e onde se passa, Onde termina, ou começa, De onde vem ou se destina.

E por mais que cause espanto os fatos que ora apresento quem achar que isto é mentira que vá ao Google e confira, verifique e leia atento, pois se ficou no passado não foi menos registrado.

E assim já lhes adianto que tem a ver com exílio, mudança de domicílio, com fuga e, logo e portanto, com saudade do lar distante, vida incerta de imigrante mas esperança no horizonte.

Pra Pernambuco formosa rica de açúcar e gente doce, holandeses cobiçosos chegaram como se fosse sua própria casa ocupar, abrindo porta e porteira pra quem quisesse trabalhar.

De Portugal, perseguidos, judeus lá foram aportar fugindo da Inquisição, que lhes proibia praticar, no país sua religião. Deixaram tudo pra trás pra poder viver em paz.

Anos e anos depois, Portugal reconquistou a linda terra nordestina, e sem dó logo expulsou os judeus de triste sina, que se dividiram em três e de lá partiram de vez.

Uns seguiram pra Holanda, sonhando com o amanhã; outros foram pro Caribe, mais perto, tentar a sorte; outros pra Nova Amsterdã, lá na América do Norte – e quase encontraram a morte.

Esses últimos, coitados, pelo meio do caminho foram cruelmente atacados ‘cê nem imagina por quem: um navio de piratas do Caribe cobrando prata e ouro pra tudo acabar bem.

Muitos anos se passaram. Os ingleses conquistaram aquela terra, e o povoado de judeus e brasileiros ganhou nome venerando famoso no mundo inteiro: Noviórque, é isso mesmo Que você ‘tava pensando.

E quando, muito mais tarde a França deu de presente a Estátua da Liberdade, em seu pedestal foi gravado um poema da descendente de um daqueles imigrantes vindos do Brasil no passado.

No poema, tão bonito, é como se a Estátua falasse com os exilados aflitos, sofridos, refugiados, e a sua chama os guiasse com generosa bondade para o belo portão dourado da Paz e da Liberdade.

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